Campanhas contra 'brincadeira da rasteira' viralizam na internet

Por causa da gravidade da ação, diferentes organizações se uniram para realizar campanhas na internet

em 14/02/2020

Por Mariel de Matos - GD

Pais e educadores estão preocupados com nova brincadeira que fez sucesso na internet, chamada de “Desafio Quebra-Crânio” ou “Brincadeira da Rasteira”. Conforme os vídeos, a brincadeira consiste em dar rasteiras nos colegas, que podem cair e bater a cabeça no chão. Por causa da gravidade da ação, diferentes organizações se uniram para realizar campanhas na internet, que viralizaram com os alertas sobre o tema.

O assunto veio à tona em novembro de 2019, quando Emanuele Medeiros, 16, morreu em escola em Mossoró (RN) por causa do "desafio". A adolescente sofreu traumatismo craniano, e, embora tenha sido socorrida, não sobreviveu. Após a morte da adolescente, médicos, educadores e psicólogos começaram a alertar a população sobre os perigos que envolvem a brincadeira. 

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Reprodução/Internet

A psicóloga e mestra em educação, Fernanda Batista do Prado conversou com o  sobre o caso e alerta que se deve pensar no porquê desse tipo de comportamento estar fazendo sucesso.

“Uma brincadeira, de baixa até grave consequência, é um comportamento que as/os jovens expressam seja para se sentirem aceitos em um grupo, seja apenas para continuar reproduzindo sob a justificativa de que ‘todos estão fazendo’. Cometer algo agressivo contra alguém não deve ser justificado em nenhuma hipótese. No entanto, também não podemos desconsiderar como fatores sociais, políticos, históricos e, principalmente, culturais podem influenciar as mentes adolescentes. Quando mudamos uma questão mínima na forma de se relacionar com alguém, transformamos toda a rede de relação”, orienta.

Fernanda também instrui sobre como a população pode lidar com esses casos, em escolas ou até mesmo em casa, “É imprescindível que em situações como essas, família e escola estejam trabalhando juntas, não com objetivo de controlar e vigiar os jovens, mas sim com diálogo, com autocrítica e autoanálise de como as relações estão postas e como se desenrolam. É necessário discutir as consequências dos comportamentos, já que elas ditam a frequência com que os comportamentos voltarão a se repetir ou serão anulados de vez”.

Também preocupados com as consequências físicas das rasteiras, a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia emitiu um comunicado para população, informando sobre os riscos do desafio, “Ele provoca uma queda brutal, onde um dos participantes bate a cabeça diretamente no chão, antes que possa estender os braços para se defender. ⠀⠀⠀

Esta queda pode provocar lesões irreversíveis ao crânio e encéfalo (Traumatismo Cranioencefálico – TCE), além de danos à coluna vertebral. Como resultado, a vítima pode ter seu desempenho cognitivo afetado, fraturar diversas vértebras, ter prejuízo aos movimentos do corpo e, em casos mais graves, ir a óbito”.

Em Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) recomendou "que todas as unidades escolares e assessorias pedagógicas intensifiquem campanhas de informação e conscientização dos alunos e familiares sobre o risco em que podem se colocar ao praticarem esse tipo de conduta, para que presenvem a integridade física própria e dos demais colegas”.

Caso algum acidente grave venha a acontecer, além das consequências físicas e psicológicas, os participantes podem responder pelos atos diante da justiça. Em casos de óbito, podem responder por homicídio, mesmo sem a intenção de matar.

 



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