PMs viram réus por atirarem no rosto de mulher e porte ilegal de arma de fogo

Os policiais vão responder ainda contra uma segunda tentativa de homicídio já que também dispararam contra o namorado da vítima.

em 28/02/2020

Por Andréia Fontes, Repórter MT

A Justiça recebeu denúncia contra os policiais militares Ezio Sousa Dias e Weberth Batista Ribeiro, por tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo. Eles foram flagrados, por câmeras de segurança, no dia 17 de janeiro deste ano, agredindo um casal de namorados que estava num ponto de ônibus e atirando contra o rosto da mulher. Foram várias tentativas de disparar e a denúncia aponta que as vítimas só sobreviveram porque as munições já haviam acabado e porque houve socorro rápido por parte do Corpo de Bombeiros. 


Reprodução

O crime aconteceu na rua Tangará, no bairro São Domingos, por volta das 23h, no município de Sorriso (420 km ao norte de Cuiabá). Osvaldo Pereira Gomes Neto e a namorada Elizângela Nunes estavam sentados num ponto de ônibus, onde haviam combinado com um motorista de aplicativo de celular. Antes de irem para este local, o casal comeu um espetinho em um bar onde os dois policiais já tinham agredido outras pessoas e feito disparos de arma de fogo.

As cenas captadas pelas câmeras de segurança mostram Ezio se aproximando do casal, com a arma de fogo em punho, junto com Weberth. Os acusados se aproximam das vítimas, quando realizam o primeiro disparo em direção a elas, mas não acertam. Na sequência, passam a agredir fisicamente Elizangela e Osvaldo com tapas e socos. Ezio se afasta e Weberth permanece agredindo o casal fisicamente. Segundos depois, Ezio retorna empunhando a arma de fogo e mirando em direção às vítimas, enquanto Weberth continua a sessão de tortura. Neste momento, é possível perceber a ocorrência de mais um disparo efetuado contra o casal.

Depois, Ezio se aproxima ainda mais das vítimas, quando Elizangela suplica, dizendo:  “pelo amor de Deus, não dispara”. Contudo, ele realiza mais um tiro, quando atinge a mulher, que cai sangrando muito. Neste momento, Osvaldo afirma que percebeu, pelo barulho da arma, que Ezio acionou o gatilho várias outras vezes, mas não havia mais munição.

O tiro atingiu Elizangela na face, causando hemorragia e fraturas multifragmentadas no corpo da mandíbula, sendo que o projétil ficou alojado na região cervical posterior. “Conforme se observa, a vítima somente não faleceu por circunstâncias alheias à vontade dos denunciados, visto que fora socorrida rapidamente pelo Corpo de Bombeiros, que a encaminhou para o hospital”, aponta trecho da denúncia.

Weberth foi preso na casa da mãe dele e Ezio no alojamento do 12º Batalhão da Polícia Militar. Durante a prisão de Ezio, foi encontrado, debaixo de seu travesseiro, um revólver marca Rossi, calibre 357, com seis munições deflagradas. Os dois continuam na prisão. Ezio já foi transferido para o Presídio Militar de Santo Antônio do Leverger e a Justiça já pediu a transferência de Weberth de Sorriso.



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