Biden discute enviar doses de vacina contra a covid-19 para o Brasil

Os EUA possuem 30 milhões de doses AstraZeneca armazenados

O governo dos Estados Unidos estuda enviar a outros países parte das doses da vacina contra o coronavírus às quais têm direito, sobretudo a vacina de AstraZeneca/Oxford. A informação é do jornal The New York Times, que afirma que funcionários do governo americano têm discutido a possibilidade internamente e junto a executivos da AstraZeneca.

Os EUA possuem 30 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, que estão armazenadas em Ohio. A vacina ainda não foi autorizada no país, porque ainda precisa concluir os testes de fase 3 locais.

A FDA, agência reguladora americana, já autorizou por ora as vacinas das americanas Pfizer, Moderna e Johnson & Johnson's (as duas primeiras com a tecnologia do RNA mensageiro). Na prática, a demora em aprovar a AstraZeneca decorre também do fato de os EUA estarem conseguindo uma taxa de vacinação suficiente com os outros imunizantes, de mais de 2 milhões de doses aplicadas ao dia.

O Brasil está entre uma das possibilidades de envio das vacinas, segundo o NYT. Gonzalo Viña, porta-voz da AstraZeneca, disse ao jornal que "outros governos entraram em contato com o governo americano para falar sobre a doação das doses da AstraZeneca, e pedimos ao governo americano para que considere esses pedidos".

Outros países de olho no "estoque" de vacinas americano são os membros da União Europeia, que têm questionado atrasos da AstraZeneca na entrega de vacinas para os europeus. As fábricas da AstraZeneca na Europa não têm dado conta da produção, e uma possibilidade buscada pela farmacêutica é enviar remessas da fábrica nos EUA. Para isso, no entanto, seria preciso o aval do governo americano, que também comprou as doses.

A vacina da AstraZeneca já foi autorizada em mais de 70 países pelo mundo, incluindo na União Europeia e no Reino Unido. O Brasil, por ora, comprou 4 milhões de doses prontas vindas do Instituto Serum, na Índia, o maior fabricante de vacinas do mundo. Mais doses prontas estão em negociação pela Fiocruz.

O Brasil começa neste mês a fabricar as próprias doses da AstraZeneca com insumo (o chamado IFA) importado na Fundação Oswaldo Cruz e, no futuro, deve fabricar o IFA nacionalmente. Essa é a expectativa para que o Brasil seja capaz de massificar a vacinação para os adultos.

Como outros países desenvolvidos, os EUA compraram mais vacinas do que o tamanho da população. "É um esforço de guerra, precisamos de flexibilidade máxima", disse nesta semana o presidente americano, Joe Biden, sobre a compra extra de imunizantes. Na mesma ocasião, após uma reunião com a J&J, Biden disse que, caso sobrassem vacinas, os EUA iriam "compartilhá-las com o resto do mundo".

Em seu primeiro pronunciamento na televisão americana nesta quinta-feira, Biden disse também que pretende que toda a população adulta esteja elegível para vacinação em 1º de maio. O desejo de acelerar ainda mais a vacinação pode ser um dos entraves para liberação de vacinas da AstraZeneca a outros países.

Só com Pfizer e Moderna, o governo dos EUA já tem acordo para 600 milhões de doses nos próximos meses, o suficiente para vacinar 300 milhões de americanos com duas doses, quase a totalidade da população. Nesta semana, o governo também se reuniu com a J&J para negociar a comprar de mais de 100 milhões de doses da vacina (que precisa de somente uma dose), que seriam somadas às 100 milhões que o governo já garantiu para o primeiro semestre.

São até agora mais de 98 milhões de doses aplicadas nos EUA, pouco mais de 29 doses a cada 100 habitantes. Cerca de 19% da população recebeu ao menos a primeira dose e 10% já recebeu a segunda.

Com mais de 330 milhões de habitantes, os EUA são o país mais populoso a chegar a tamanha cobertura da população, perdendo somente para países menores, como Israel (98 doses/100 habitantes) e Reino Unido (36 doses/100 habitantes).

No Brasil, a porcentagem de vacinados está em cerca de 4%, com mais de 9 milhões de doses aplicadas. O Brasil usa até agora a vacina de AstraZeneca/Oxford e a Coronavac, produzida no Instituto Butantan com IFA importado.

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