Campanha cobra desburocratização em créditos para construção de armazéns em MT

Atualmente o Estado tem 2,2 mil armazéns, mas isso representa 30% do necessário para toda a produção
Foto: Anderson Hentges

Mesmo sendo o maior produtor de grãos do país, Mato Grosso enfrenta um grande gargalo na armazenagem da produção, isso porque existem apenas 30% do que seria necessário de locais apropriados para guardar a safra. É o que aponta a Associação de Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-MT).

A instituição lançou a campanha “Armazém Para Todos” voltada principalmente para os médios e pequenos produtores. Dados da Aprosoja mostram que 85% dos produtores do estado plantam até 3,5 mil hectares, e neste sentido, segundo o presidente da Associação, Fernando Cadore, há viabilidade para armazéns de diversas capacidades, mas que a burocratização não contribui com a solução dessa mazela.

“Quando a gente fala de armazenagem são certidões, são licenças, é um processo tão burocrático, amarrado, que dá a impressão que não foi feito pra ser pego por pessoas que de fato precisam, que é o produtor. Nós precisamos que esse crédito que existe, exista de fato, e pra existir ele tem que ir pra mão dessas pessoas que não tem o armazém”.

Um levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), organizado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, o IMEA, em novembro de 2020, traz que em Mato Grosso, estado que concentra a maior produção e grãos, com uma média de 38 milhões de toneladas, há apenas 2,2 mil armazéns, metade do número que existe no Rio Grande do Sul, que é o segundo estado com a maior produção e onde há 4,7 mil estruturas de armazenagem.

Uma projeção realizada pela Aprosoja mostra que, para suportar toda a safra estadual, até 2030 o Estado precisaria ampliar a capacidade de armazenagem para 125 milhões de toneladas, ou seja, um incremento de 22,9% de armazéns por ano, todavia essa curva cresce apenas 3,7% anualmente. Neste sentido, se esse ritmo for mantido, em 2030 a capacidade de armazenamento será apenas para 51 milhões de toneladas de grãos.

Na atual situação, a saída é vender antes mesmo de colher, contudo a Associação relata que isso não é vantajoso, já que os preços operados são mais baixos do que realmente vale, e isso acarreta em maiores preços pagos pelo consumidor no produto final. Outra problemática é a falta de grãos no mercado interno, já que basicamente toda a safra acaba sendo exportada.

Cadore argumenta que a implantação de armazéns não beneficia apenas produtores, mas a sociedade como um todo. “Diminuição do custo de produção da proteína animal, rentabilidade do produtor, se o pequeno produtor consegue margear, tanto o produtor de carne quanto o produtor de grão, aquele dinheiro vai pro comércio local, vai pro supermercado, vai pra escola, ele fica na sociedade fica no estado”, conclui.

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