CPI deve ouvir Antônio Galvan após acusações de corrupção na Aprosoja

O presidente da CPI, deputado Wilson Santos, apresentou requerimento que deve ser apreciado ainda nesta semana
Foto: Anderson Hentges

A CPI da Renúncia e Sonegação Fiscal da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) deve ouvir nos próximos dias o presidente da Associação de Produtores de Soja e Milho, a Aprosoja Brasil, Antônio Galvan, para apurar possíveis desvios de recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab).

O deputado Wilson Santos (PSDB), presidente da CPI, apresentou um requerimento de convocação de Galvan, mas a pedido de Carlos Avallone deve ser debatido na próxima sessão ordinária.

Wilson aponta que quer ouvir o presidente da Aprosoja Brasil, que também já presidiu a Aprosoja Mato Grosso, principalmente devido as acusações feitas pelo filho de Antônio, o Rafael Galvan, sobre esquema de corrupção na Associação. "A CPI vai dar a oportunidade a ele para que ele possa se explicar, afinal de contas foi o próprio filho que disse que quando ele (Galvan) presidiu a Aprosoja Mato Grosso, ele mal versou recursos que são oriundos do Fethab e são recursos públicos. A Controladoria Geral do Estado tem esse entendimento que são recursos públicos", disse.

Ocorre que as denúncias feitas por Rafael foram em um grupo de Whatsapp do condôminio onde Antônio mora com a atual esposa, a advogada Paula Boaventura. O filho acusou o pai de corrupção dentro da Instituição e também sobre um contrato da Aprosoja com Paula, que seria de aproximadamente R$ 1,5 milhão. O presidente da Aprosoja Brasil e a esposa negaram as acusações.

Wilson Santos ainda aponta que Galvan não pode recusar participar das oitivas da CPI por conta do teor das acusações. "Se ele recusar a CPI tem instrumentos para que ele compareça, é um espaço democrático, ele sofreu uma acusação muito séria pelo filho em relação a sua gestão financeira a frente da Aprosoja Mato Grosso e nós vamos dar a ele a oportunidade de se explicar, e ao mesmo tempo a sociedade quer saber se de fato esses recursos públicos foram utilizados de maneira correta".

Na semana passada a Polícia Federal (PF) realizou uma operação e cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Aprosoja Mato Grosso. Os agentes recolheram documentos para apurar se a Associação teria utilizado recursos do Fethab e do IAGRO para financiar atos no 7 de setembro, em defesa do presidente Jair Bolsonaro.(sem partido). O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes acatou pedido da Procuradoria Geral da República determinando o bloqueio das contas da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e da Aprosoja-MT.

"Nós queremos esclarecimentos, são quase meio bilhão de reais que passaram pela Aprosoja desde que a criação do Fethab no ano de 2000. Então nós queremos que ele tenha aqui toda a tranquilidade, todo o espaço necessário para que ele preste conta, especialmente do período em que ficou a frente da Aprosoja Mato Grosso", conclui Wilson.

Em nota, a Aprosoja Mato Grosso negou que utitiliza recursos do Fethab para manter o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (IAGRO). Disse ainda que o IAGRO é mantido pela contribuição dos produtores rurais de soja de Mato Grosso, por meio do qual o setor promove iniciativas de apoio e desenvolvimento da cultura da soja, além de manter suas atividades representativas através dos trabalhos técnicos da Aprosoja. (Colaborou Adão de Oliveira)

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