CPI deve questionar Osmar Terra nesta terça sobre 'gabinete paralelo'

Ex-ministro, Terra defende medidas rechaçadas pela comunidade científica no enfrentamento à Covid-19.

A CPI da Covid ouvirá nesta terça-feira (22) o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) e deverá questioná-lo sobre o "gabinete paralelo" que teria assessorado o presidente Jair Bolsonaro em assuntos relacionados à pandemia.

Ex-ministro, Terra defende medidas rechaçadas pela comunidade científica no enfrentamento à Covid-19, entre as quais a imunidade de rebanho (que pressupõe a superação da pandemia por meio de um alto número de infectados) e o uso de medicamentos comprovadamente ineficazes.

Conforme mostrou a GloboNews, o deputado se reuniu ao menos 17 vezes com Bolsonaro durante a pandemia. Senadores apuram quem são as pessoas que orientaram o presidente em detrimento das evidências científicas.

Antes da audiência, no entanto, a comissão votará requerimentos que preveem pedidos de informação, quebras de sigilo e convocações, entre as quais a do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (leia detalhes mais abaixo).

A convocação de Castro está na pauta, mas pode não ser votada. Isso porque, nesta segunda-feira (21), a ministra do Rosa Weber, do STF, suspendeu as convocações de governadores.

'Gabinete paralelo'

O depoimento de Terra foi aprovado como uma convocação, na qual a presença é obrigatória, assim como a necessidade de dizer a verdade. O deputado é visto como "peça-chave" na investigação sobre o "gabinete paralelo".

No entanto, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), acolheu pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e a audiência com Terra passou a ser no formato de convite.

Integrantes da CPI suspeitam que ele integre o "gabinete paralelo" de assessoramento a Bolsonaro.

Um vídeo de uma reunião no Palácio do Planalto, em setembro de 2020, mostra Bolsonaro acompanhado de Terra e médicos na qual foram manifestadas opiniões contra a vacina; a favor de medicamentos ineficazes contra a doença; e a criação de um "shadow cabinet" (gabinete das sombras em tradução literal) para aconselhar o governo.

O nome de Terra surgiu logo no primeiro depoimento da CPI. Em maio, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta foi questionado sobre a atuação do deputado.

A médica Nise Yamaguchi também citou Osmar Terra. Ela disse que o conheceu em um almoço na Presidência da República.

“Ações equivocadas e omissões lesivas ao interesse coletivo podem decorrer da forma como as principais autoridades do país viam e continuam vendo a ameaça do novo coronavírus. Neste ponto, é essencial saber qual a verdadeira concepção que o maior mandatário do país tem sobre o contexto no qual estamos inseridos e quem ajudou a construir esta noção”, defenderam os senadores Rogério Carvalho (PT-SE) e Humberto Costa (PT-PE) no requerimento de convocação do deputado.

 

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