'A gente se cuida, faz o que pode, tenta manter a imunidade boa e fazer atividades que distraiam a mente pra não pensar só nisso'

Cuiabana, que vive na Itália, relata rotina após pandemia do novo coronavírus

Por Ariana Martins

Diante da pandemia do novo coronavírus, o alerta em todo o mundo tem causado pânico em boa parte da população. Ao todo, o Covid-19 já provocou a morte de mais de 10 mil pessoas e a extensão disso já chega a 121 países. Cuiabana que vive na Itália, um dos principais epicentros, conta ao Capital Notícia o que está enfrentando por lá.

Vivendo na Itália com o esposo há pouco mais de 2 anos, a cuiabana Stephani Cavalieri, de 32 anos, falou com nossa equipe de reportagem sobre a rotina da família que vive em Verona no norte da Itália, a cidade faz parte da região do Vêneto que faz divisa com a região da Lombardia, que é o epicentro do foco do coronavírus, e que registrou o maior número de casos.

Stephani relata que até o inicio de fevereiro a vida seguia normalmente, mesmo que alguns casos já notificados pelo país.

“No final de fevereiro o governo determinou que fosse fechada as escolas, creches e universidades. Tudo pra evitar que o vírus se espalhasse tão rápido, mas todo mundo trabalhando normalmente, indo pra shows, boates, enfim, apesar do coronavírus estar crescendo no país a cada dia, a vida seguia normalmente até que o governo resolveu tomar medidas mais drásticas para conter a disseminação do vírus. Foi então que no início deste mês saiu o decreto que determinou que a Lombardia e mais 14 províncias fossem isoladas, ou seja, ninguém entrava e ninguém saia sem autorização”, relatou.


Stephani Cavalieri vive na Itália há pouco mais de 2 anos

A cuiabana ainda explicou que mesmo com essa determinação do governo italiano, o vírus continuava se propagando muito rapidamente, o que levou às autoridades decretarem quarentena em todo país.

“Desde 11 de março nós estamos em quarenten. Até pouco tempo antes desse decreto, o governo já vinha, através da mídia, passando todas as orientações à população para evitar aglomerações, ter higiene pessoal lavando as mãos constantemente, fazer uso do álcool em gel, tampar a boca ao tossir, enfim, tudo aquilo que todos já sabemos”.

A brasileira ainda falou que o decreto do Governo italiano é que tudo fosse fechado e que dessa forma a população tem colaborado.

"Todo restaurante, bar, comércio em geral, exceto supermercados, escritórios e empresas foram fechados. Apenas os hospitais funcionam, não tem ningumém na rua, parece cena de filme mesmo. Todos estão trabalhando de casa, meu esposo também. No meu caso, a empresa que trabalho, não é servico essencial, ainda assim estava funcionando, mas devido panico da população, abriram exceção e quem fica em casa recebe apenas 40% do salário", explicou.

Sobre a situação dos mercados e disponibilidade de mercadorias para consumo da população, Stephani conta que a princípio não tem faltado as coisas.

“Hoje eu precisei ir ao mercado para comprar coisas frescas, frutas e vegetais, e também quis garantir um resto de coisas até o final da quarentena, até porque eu estou com medo de começar parar os transportes e não chegar mais coisas no supermercado. No momento está tudo abastecido, a única coisa que não tinha era batata, o resto tudo normal, tem tudo no mercado’.

Stephani ainda relata que ficou chocada, pois não havia quase ninguém no mercado, e os poucos que tinham, desviam e não chegam perto dos outros.

“Era um hipermercado e não tinha mais que 12 pessoas lá comprando, uma aqui e outra lá, mas se a pessoa passava perto de você ela desviava assim com medo, todo mundo com máscara, eu não estava com luvas, eles estavam usando luvas de descartáveis, e comecei a ficar chocada porque quase ninguém na rua, parecendo aqueles filmes de extermínio de guerra que acaba a cidade e fica tudo vazio. Tudo fechado, todas as lojas do centro comercial, é um minisshopping nesse mercado que eu vou, que fica a 60 metros da minha casa, então tudo fechado, só o mercado aberto”.

Stephani Cavalieri conta o que fazem em casa para se distrair nesse período de quarentena.

“Eu e meu marido estamos em casa, a gente se cuida, faz o que pode, toma vitamina, come frutas, tenta manter a imunidade boa, procuramos fazer algumas atividades que distraia a mente pra não ficar pensando só nisso e torcer pra isso passar logo e que eles consigam conter de vez o número de casos, conseguir cuidar de quem está na UTI e se Deus quiser a gente vai sair logo dessa”, detalhou.

Conforme dados do governo italiano, a taxa de letalidade do vírus é mais alta entre a população com mais de 70 anos, o que nossa entrevistada corrobora, já que o número de óbitos é em sua grande maioria dessa faixa etária.

“Aqui na Itália tem muito idoso, muito mesmo e o coronavirus está atacando mesmo os idosos, a maioria das mortes são pessoas acima de 70 anos e como aqui tem muito é isso que faz com que tenha tanto número de mortes. Já os jovens não estão tendo muitos casos, mas é preciso estar tomando os cuidados”.

O trabalho também tem sido muito dicifil para os profissionais da saúde em todos os aspectos. Muitos também já foram infectados. Abaixo é possivel ver o post feito por uma profissional após horas de trabalho.

 
Reprodução/Instagram

 


Reprodução/Instagram

Sobre as blitzes que acontecem por toda cidade e que o levou o governo italiano a adotar medidas drásticas para conter o vírus, como a necessidade de portar autorização especial para circular ou viajar, assinado pelo primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, Stephani disse concordar.


Autorização para que o cidadão possa sair de casa

“Eu acho que o governo está mais que certo porque se não põe essas regras as pessoas descumprem. Eles estão bem rígidos, acho que tem que ficar em casa mesmo, vai curtir a família e rezar pra isso tudo passar logo”.


Reprodução/Intagram

 

Itália supera China em Número de Mortos

Defesa Civil da Itália anunciou nesta quinta-feira, 19, que o número de mortos em decorrência do novo coronavírus subiu para 3.405, o que coloca o país à frente da China na quantidade de vítimas, que contabiliza 3.245. O início do surto de covid-19 no país europeu foi noticiado em 21 de fevereiro e nas últimas 24 horas foram registrados 427 óbitos. Ao mesmo tempo, a cidade de Wuhan, onde a pandemia teve início, não registrou casos adicionais.

Segundo os dados, o número de vítimas na Itália reduziu em um dia, já que na quarta-feira, 18, o balanço registrou 475 óbitos em 24 horas. Em relação aos contágios, o país europeu tem um total de 41.035 pessoas infectadas, sendo 33.190 casos ativos e 4.440 recuperados.

A região da Lombardia, no norte do país, continua sendo a mais afetada pela doença. Ao todo, foram registradas 2.168 mortes, sendo 209 em apenas um dia. Já o número de contágios é de 19.884, um aumento de 2.171 contaminações em 24 horas, "um dado significamente mais alto", segundo as autoridades. (Com informações o Estadão)

 

 

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