Dilmar teria recebido R$ 512 mil e Satélite mais de R$ 1 milhão em propina, diz MP

A operação apura crimes de organização criminosa, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, fraude à licitação, entre outros.

Durante quatro anos de investigação e vários depoimentos de empresários, empregados, assessores e investigados, o Ministério Público (MPE-MT), por meio do Núcleo de Ação de Competência Originária (Naco) identificou que o deputado estadual Dilmar Dal Bosco (DEM) teria recebido R$ 512,6 mil e o ex-deputado Pedro Satélite (PSD) teria recebido R$ 1,1 milhão em propina paga pelo empresário Éder Augusto Pinheiro, do Grupo Verde.

O relatório detalhado do que foi apurado e das condutas criminosas dos envolvidos consta em decisão que determinou mandado de busca e apreensão na casa do parlamentar, na 3ª fase da Operação Rota Final, que apura os crimes de organização criminosa, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, fraude à licitação, entre outros. As informações foram prestadas pelo delator premiado Max William de Barros Lima, que seria um dos operadores do esquema.

Dilmar e Satélite integravam a Comissão Especial de Transportes do Legislativo, como relator e presidente, criada em 27 de agosto de 2015. Os dois, junto do empresário Éder Pinheiro e do presidente do Setromat, Júlio César Sales de Lima, teriam feito lobby junto ao então governador Pedro Taques para que o Estado não cumprisse o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) feito com o MPE para fazer a licitação do setor.

A assessora parlamentar teria ajudado Dilmar a receber, entre 2014 e 2017, propinas que totalizaram R$ 512,6 mil. De 2012 a 2018, o deputado ainda teria recebido passagens de ônibus como "cortesias" da Verde, que somaram R$ 313,3 mil. Já Pedro Satélite, entre 2013 e 2018, também teria recebido R$ 332,4 mil em passagens de cortesia. Os valores foram confirmados pelo delator e também por dados extraídos de aparelho celular apreendido na primeira fase da operação.

No total, Pedro Satélite teria recebido R$ 1,1 milhão entre 2014 e 2018, repassados pelo Grupo Verde a seu filho, Andrigo Gaspar Wiegert e Glauciane Wiegert. Ele também teria recebido uma Mitsubishi Pajero Sport HBE, avaliada em R$ 35 mil, e que foi registrada em nome da filha Marciana Wiegert Alonço dos Reis.

O presidente do Setromat, Júlior César Sales de Lima, teria pago propina aos deputados. Em 2011, de acordo com o MPE, os dois receberam R$ 472,5 mil e R$ 147,5 mil, respectivamente, " nos termos da planilha apreendida em cumprimento de mandado de busca e apreensão e declaração do colaborador".

"Com base em evidências obtidas após o cumprimento das medidas cautelares deferidas e do conteúdo de colaboração premiada, a investigação alcançou/obteve novos elementos que induzem o envolvimento de Dilmar Dal Bosco, tendo sido inclusive apreendidos canhotos de cheques, com campos intitulados "pago" e "depósito", registrando "Dilmar" e "10.000,00". Essas movimentações financeiras também estão descritas no Relatório Bancário nº 26/2020, das quais se constata que o então assessor parlamentar Adão Ewaldir Garcia (falecido) compensou quatro cheques, provenientes do Grupo Verde e referentes aos meses de janeiro/fevereiro/março/maio de 2017, no montante de R$ 40 mil, e transferiu essa quantia para o investigado Dilmar Dal Bosco", diz a decisão.

A 3ª fase da operação foi deflagrada na sexta-feira (14.05). O deputado Dilmar afirmou que sofre uma exposição desnecessária e o suplente e ex-deputado estadual Pedro Satélite disse que não tem qualquer envolvimento com o esquema investigado pelo Ministério Público

 

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