Facebook mantém suspensão de Trump até 2023

Suspenso desde janeiro, ex-presidente dos EUA é o primeiro a ser enquadrado em novas regras da rede social para figuras públicas
Foto: EFE/EPA/Chris Kleponis / POOL/Archivo

O Facebook informou nesta sexta-feira (4) que a suspensão do perfil do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será mantida até janeiro de 2023. A decisão foi tomada em resposta ao Comitê de Supervisão da rede social, que, em maio, pediu uma decisão definitiva sobre o caso.

O período de dois anos conta a partir de 7 de janeiro, quando Trump foi impedido de publicar em suas contas no Facebook e no Instagram. A medida aconteceu um dia após a invasão do Congresso americano por apoiadores do então presidente.

O Facebook também apresentou novas regras que podem ampliar a remoção de posts de políticos e outras figuras públicas. Até então, a plataforma considerava as falas de políticos, por exemplo, como de interesse público por si só, sem considerar os danos que as postagens poderiam causar.

Agora, as figuras públicas estão sujeitas às regras aplicadas a todos os usuários.

Em comunicado sobre a punição de dois anos a Trump, o Facebook apresentou novos protocolos a serem seguidos em casos parecidos. A companhia passou a prever suspensões que variam de um mês a dois anos para figuras públicas que violarem regras.

"Dada a gravidade das circunstâncias que levaram à suspensão do Sr. Trump, acreditamos que suas ações constituíram uma violação grave de nossas regras que merecem a maior penalidade disponível nos novos protocolos de aplicação", afirmou o Facebook.

Facebook segue Comitê de Supervisão

O Comitê de Supervisão, grupo independente que analisa decisões de moderação do Facebook, afirmou em maio que a suspensão de Trump sem prazo definido não era uma medida apropriada. O conselho orientou a plataforma a revisar suas políticas para indicar de maneira clara como vai proceder em casos como este.

Pensando nisso, o Facebook apresentou seus novos protocolos para figuras públicas em casos de agitação civil e violência. Além das suspensões de até dois anos, a rede social estabeleceu que a reincidência poderá levar a punições ainda maiores, incluindo a remoção permanente da conta.

Em janeiro, quando as contas foram suspensas, o presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, afirmou que os riscos de permitir que Trump continuasse nas redes sociais eram muito grandes.

Agora, a empresa afirmou que, no fim do prazo da suspensão, vai analisar se os riscos à segurança pública foram reduzidos.

"Se determinarmos que ainda existe um risco sério para a segurança pública, estenderemos a restrição por um determinado período de tempo e continuaremos a reavaliar até que o risco diminua", explicou a companhia.

Quando as contas de Trump forem liberadas, elas ficarão sujeitas a punições ainda maiores em caso de novas violações.

O Facebook afirmou que, em janeiro, não tinha protocolos adequados para responder a casos como o do ex-presidente americano. "Agora que os temos, esperamos que sejam aplicáveis apenas nas mais raras circunstâncias", disse a empresa.

Suspenso no YouTube e Twitter

No início de janeiro, Trump também foi suspenso de outras redes sociais, como o Youtube e Twitter, também por causa de atos de violência de seus apoiadores no Capitólio.

O canal de Trump no Youtube está impedido de enviar novos vídeos.

Já o Twitter tirou a conta de Trump do ar permanentemente. "Após uma análise cuidadosa dos tuítes recentes do @realDonaldTrump e do contexto em torno deles, suspendemos permanentemente a conta devido ao risco de mais incitação à violência", disse a empresa no início do ano.

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