Impedimento de Bolsonaro já

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, em que pese ter conquistas a comemorar na sua gestão, como a reforma da previdência, pode entrar para a história como a autoridade que se omitiu ao não aceitar a abertura do processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. A história cobrará duro de Maia e outras autoridades pela omissão, pelo medo, por ter deixado de fazer o certo que é o de começar o processo de impedimento do presidente da República.

Bolsonaro precisa ser afastado imediatamente. Sobram razões para isso. E centenas de pedidos repousam nas gavetas do presidente da Câmara dos Deputados, que poderá arrepender-se em futuro próximo e vai ser muito cobrado pelos historiadores. Vou elencar alguns motivos:

1 – Desde o início do mandato, o presidente Bolsonaro tenta aplicar o auto golpe. Participou e estimulou manifestações populares contra o Congresso Nacional e o STF. Queria o fechamento dessas instituições. Como diziam os cartazes dos malucos que lhe seguem: “intervenção militar com Bolsonaro”. O plano só não foi adiante porque o Exército não aceitou ser uma instituição de governo, mas sim do Estado.

2 – Bolsonaro é o grande responsável pela crise brasileira do coronavirus. A pandemia estaria aqui de qualquer jeito, mas o presidente foi o maior aliado do vírus, quando estimulou não usar máscara, quando impôs a utilização de remédios que foram rejeitados pela ciência como a hidroxicloroquina, tendo trocado dois ministros da saúde por isso e quando ele próprio estimulou as aglomerações, participando de manifestações sem máscara e sendo um transmissor da doença que já matou mais de 200 mil brasileiros. A grande maioria dessas mortes poderia ter sido evitada.

3 – Mais recentemente, o presidente se lançou em uma cruzada contra a vacina. Fez questão de manifestar que ele pessoalmente não irá vacinar, numa clara demonstração de boicote à única solução possível de acordo com a ciência para retomarmos a normalidade. O boicote de Bolsonaro chegou a um ponto tal que o Brasil não se preparou nem para ter seringas e agulhas para realizar a vacinação. Não fossem os governadores, como Doria em São Paulo e Mauro Mendes em Mato Grosso, não teríamos seringa para imunizar a população.

4 – Bolsonaro não consegue governar não é porque é de direita, porque é homofóbico, porque defende a tortura. Com certeza, não é por nenhum desses motivos. Bolsonaro não consegue governar porque é incompetente e não tem projetos para a nação. Seu único objetivo é usar instituições do Estado como ABIN e Polícia Federal, para evitar que familiares seus sejam condenados e possam ir para a cadeia. E Rodrigo Maia sabe de tudo isso, mas não tem a coragem de aceitar um dos processos de impeachment.

5 – Os recentes acontecimentos nos Estados Unidos, com a invasão do Capitólio, onde estão Câmara e Senado, contaram com apoio do presidente Bolsonaro, que até já antecipou o que pretende em 2022: fazer pior aqui se não voltar o voto de papel. Essa é mais uma afronta pública ao Judiciário e ao próprio poder legislativo, que é onde pode ser aprovada, ou não, a vontade de Bolsonaro. Mas o recado dele é claro: “se o voto continuar eletrônico, os acontecimentos aqui serão piores do que nos Estados Unidos”. Ou seja, sem rodeios anunciou a intenção de golpe.

Com todos esses fatos e mais centenas que deixei de citar, Rodrigo Maia ainda não tomou providências para fazer o impedimento do presidente. Os democratas dos Estados Unidos não se omitem e pela terceira vez estão propondo o impedimento de Trump. Por aqui, Rodrigo Maia faz cara de paisagem.

Sinceramente não dá para esperar 2022 para saber se Bolsonaro vai ou não dar golpe. É hora de afastá-lo e promover a substituição constitucional. O país não pode continuar tendo um desequilibrado e despreparado na presidência da República. A hora é agora.

 

Antero Paes de Barros é jornalista, advogado, foi vereador, deputado constituinte e senador. 

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