Milho pode faltar no mercado interno, afirma presidente da Aprosoja

Falta de armazéns faz com que produto seja comercializado antecipadamente, ocasionando alta de valores e escassez do grão
Foto: Capital Notícia

Mesmo produzindo cerca de 35 milhões de toneladas de milho por ano, em breve, o grão pode faltar no mercado interno de Mato Grosso. É o que afirma o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, a Aprosoja, Fernando Cadore.

Segundo o chefe da Instituição, apesar de toda essa produção, o estado consome apenas 30% de tudo o que colhe, incluindo a transformação do cereal em etanol que já é realidade no estado. “O Mato Grosso produz três vezes mais milho do que consome, produz 35 milhões de toneladas, consome menos do que 10 considerando o etanol de milho também e corre o risco de se faltar milho no mercado interno, é um absurdo”, disse em entrevista para a Rádio Capital na manhã desta quinta-feira (10/06).

Essa mazela é consequência da falta de armazéns, já que, sem espaço para guardar o milho, os produtores exportam com preços bem menores e o quantitativo que permanece é comercializado com valores maiores, pois não é suficiente para suprir a demanda. 

Cadore explica que existe apenas a metade de armazéns necessários para suportar o volume de grãos colhidos e mesmo assim o produtor não tem domínio pessoal sobre a produção.  “E desses que tem só 40% está com o produtor rural, o resto está com a trading, tá com cooperativa”.

Na avaliação de Cadore, os produtores, mesmo produzindo, não detêm o poder sobre o grão, já que se vê a mercê da venda obrigatória antecipada ocasionada pela falta de locais para armazenamento. “A partir do momento que você já planta e é obrigado a vender, pois não sabe aonde vai por o dono não é mais você, vai ser o atravessador, vai ser a trading, vai ser o operador da ferrovia, mas muita gente não enxerga dessa maneira, então a partir do momento que o produtor ter onde guardar o seu produto ele vai começar a ser independente, talvez a gente mude essa realidade da falta de produto do mercado interno”.

Para que essa situação seja solucionada, o presidente da Aprosoja avalia que são necessárias políticas públicas que facilitem a construção de mais armazéns. “A recomendação é que se tenha de uma a duas vezes a sua capacidade de armazenar pra não acontecer um caos. Precisa se ter crédito, para que o produtor pague, não é crédito doado, é um empréstimo que tenha um prazo um pouco maior do que se trabalha com máquinas agrícolas, pra que tenha um tempo hábil para a devolução”, conclui.

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