Imagens que vieram a público no final de semana revela suspeita de negociação de apoio.

MPE pede que PF investigue Misael por suposta compra de votos

Por Cíntia Borges

O Ministério Público Eleitoral de Mato Grosso requereu que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar a suspeita de compra de votos por parte da campanha do presidente da Câmara de Vereadores de Cuiabá, vereador Misael Galvão (PTB), que tenta a reeleição.

O caso veio à tona no final de semana, após a divulgação de imagens feitas por câmeras escondidas flagrando uma suposta negociação de apoio em troca de dinheiro.

MidiaNews apurou que o MP Eleitoral enviou um ofício a PF com as informações sobre o caso e requisitando abertura de inquérito, que é automática nestes casos. Como se trata de suspeita de crime eleitoral, a competência para investigação é da Polícia Federal.

A reportagem tentou um posicionamento do MP Eleitoral, mas foi informada que nenhuma informação será divulgada, uma vez que a apuração ainda está em andamento.

A PF também não havia se posicionado até o fechamento deste texto.

No domingo (25), a defesa de Misael ingressou com uma representação na Justiça para tentar retirar da internet vídeos e notícias sobre as imagens.

A representação foi protocolada na 1ª Zona Eleitoral de Cuiabá.

O vereador acionou os sites MidiaNews e Voz MT, o perfil do Instagram “jhonanfilofev23456”, além dos gigantes da tecnologia Google e o Facebook – que é responsável pelo WhatsApp e Instagram.

Imagens

As imagens mostram dois homens, que se identificam como Sandro e Daniel, que seriam servidores da Câmara Municipal.

Em um dos vídeos, Sandro negociaria com um eleitor o pagamento de R$ 50 por semana por carro adesivado, e por placa de Misael colocada em frente às casas.

"Vou fazer o seguinte, vou liberar doze carros para você, R$ 50 por semana. Aí 'nóis' marca um dia pro adesivaço lá, adesiva os carros, e para você eu vejo uma coisinha por fora", afirma Sandro.

O homem pergunta: "Quanto?".

"Vai dar cinco semanas. Fica toda segunda-feira, eu passo pra você R$ 50 dos carros", diz Sandro.

"E as placas, como funciona?", questiona o homem.

"A placa é mais para quem não tem carro. Tipo assim, se eu pagar R$ 250 pro cara colocar placa, mais R$ 250 do carro, aí quebra 'nóis'", diz Sandro.

Ele continua: "Você é o ponta. Você é o número um, o líder, o cabeça. Aí, pra baixo de você, vem o número dois e o três. Então, tem que passar um negócio a mais pra você, você coordena o dois e o três", continua. 

"Se eu colocar pro cara R$ 250 do carro, e 250 da placa, aí chega lá na casa do cara ele tem quatro votos. Aí to pagando quase R$ 120 por voto. Aí não compensa pra nóis, entendeu", diz Sandro.

"Aí a gente so pega as pessoas de confiança, a gente não tá chegando e adesivando". 

"Faz o seguinte, hoje você levanta o que você tem, eu tô aqui direto, meu nome é Sandro, você me passa pra mim amanhã, fala ó, eu fiz um estudo aí, tal, e eu tenho isso aqui. Em princípio eu libero esses doze [carros] para você, aí depois, se você tiver mais alguma coisa de casa, você me passa que te dou uma resposta", disse.

"A parte de logística de combutivel é com Daniel, ele que mexe com isso. Mas amanhã eu passo para você. Se ele voltar, eu já peço para ele passar. Eu tô aqui direto", diz Sandro, que pede o número de telefone do homem.

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