Em meio à guerra

pai cria jogo para filha rir durante bombardeios

*JOÃO PEDRO MALAR* - O ESTADO DE S.PAULO​

Abdullah Al-Mohammad fugiu da cidade onde morava com a filha e a mulher, devido aos efeitos do conflito na Síria

Em um vídeo é possível ver o pai e a filha rindo enquanto uma bomba atinge a região onde eles moram

Em um vídeo é possível ver o pai e a filha rindo enquanto uma bomba atinge a região onde eles moram Foto: Twitter / @alganmehmett

Um pai criou uma brincadeira para evitar que a filha ficasse com medo enquanto bombas atingem a região onde a família vive, na Síria. No “jogo” criado por Abdullah Al-Mohammad toda a família deve rir assim que ouvirem o barulho de uma explosão ou da passagem de um jato.

Mehmet Algan, amigo de Adbullah, publicou um vídeo no Twitter em que é possível ver como o jogo funciona. Nele, Adbullah está falando com a filha, Salwa, de quatro anos, quando eles percebem que uma bomba irá atingir um local próximo de onde estão.

“É um jato ou uma bomba?”, pergunta o pai para Salwa. “Uma bomba. Quando ela chegar nós vamos rir”, responde ela. Logo depois é possível ouvir o som do impacto, e Salwa imediatamente começa a rir junto com o pai. 

Mehmet Algan@alganmehmett

 · 16 de fev de 2020

İdlipli bir arkadaş ailesiyle birlikte sınır kasabası Sarmada’ya sığınmış. 4 yaşındaki kızına uçak ve bomba seslerinin bir oyun olduğunu öğretmiş. Her ses geldiğinde ailecek gülüyorlar oyun bozulmasın diye. Suriye insanlığın ağır çekim mağlubiyeti oldu. Çok büyük kalp ağrısı.

Mehmet Algan@alganmehmett

Abdullah ve güzel kızı Selva. Yukarıda durumlarını paylaştığım baba kız. Ve yine tekrar eden o kahredici oyun. Anlamak için Arapça bilmenize gerek yok.

Vídeo incorporado

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17:07 - 16 de fev de 2020

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“Sim, é engraçado”, diz a criança quando o pai pergunta se foi a explosão que gerou as risadas. “A Síria foi uma derrota em câmera lenta da humanidade”, diz Algan na publicação.

Em entrevista para a Sky News, Adbullah comentou que ele e a mulher criaram a brincadeira para “evitar que o estado psicológico [de Salwa] ruísse. Para que ela não fosse afetada por doenças ligadas ao medo”.

Ele também explicou, em entrevista para o canal Al Jazeera, que a ideia por trás da brincadeira veio quando Salwa se assustou com bombinhas usadas por crianças em jogos, mas ela se acalmou quando o pai explicou que elas não faziam nenhum mal e eram usadas para diversão. Adbullah repetiu o discurso, mas dessa vez para falar das bombas reais que atingem a região onde a família vive.

A família morava na cidade de Saraqeb, na província de Idlib, uma das mais afetadas por conflitos na Síria. Eles deixaram a cidade e estão vivendo com um amigo na cidade de Sarmada, mas ela também vem sendo atingida por bombas. Estima-se que 800 mil pessoas já deixaram os seus lares devido a um aumento recente das tensões em Idlib.

 

*Estagiário sob supervisão de Charlise Morais

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