Ele foi solto dois dias depois sob o pagamento de fiança no valor de R$ 31 mil e uso de tornozeleira eletrônica.

Servidores da Casa Civil comentavam sobre atos de corrupção de ex-adjunto

Por Pablo Rodrigo

Servidores da Casa Civil do governo de Mato Grosso comentavam sobre o envolvimento em atos de corrupção do ex-secretário-adjunto Sistémico, Wanderson de Jesus Nogueira, o Dinho, preso e exonerado após ser flagrado com R$ 20 mil supostamente oriundo de propina. Ele foi solto dois dias depois sob o pagamento de fiança no valor de R$ 31 mil e uso de tornozeleira eletrônica.

Depoimento do tenente-coronel Noelson Carlos Dias, assessor especial da Casa Militar, ao Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), no dia 24 de setembro, um dia após a prisão de Dinho, consta que chegou ao seu conhecimento informações de que o ex-secretário estaria envolvido em atos de corrupção no desempenho de suas funções na Casa Civil. 

Michel Alvim - Secom/MT
Reprodução

"Wanderson determinava que servidores públicos atestassem notas fiscais de serviços que não foram prestados para poder receber propina", cita um trecho do depoimento. 

Nogueira foi preso em flagrante na quinta-feira (24), quando chegava em seu apartamento após pegar R$ 20 mil em propina provavelmente da empresa TMF Construções e Serviços Eireli.

Noelson também disse que chegou ao seu conhecimento que o responsável pela empresa TMF, Thiago Ronchi Adrien Eugênio, frequentava quase que diariamente o Palácio Paiaguás, onde ficam a Governadoria, Casa Civil, Vice Governadoria, Gabinete de Comunicação, Gabinete Militar e a Unidade de Ações Social e Atenção à Família (Unaf).

Noelson afirma que no dia da prisão as "informações envolvendo atos de corrupção praticados por Wanderson foram levados ao conhecimento do secretário da Casa Civil Mauro Carvalho, tendo sido discutido até a exoneração de Wanderson de seu cargo na Casa Civil”.

"Que chegou ao conhecimento do depoente que a empresa TMF, representada por Thiago estava recebendo por serviços não prestados e que estaria retornando parte desses valores para o secretário-adjunto Wanderson, que inclusive Wanderson pedia para o servidor conhecido como Mario Prefeito do Palácio Paiaguás atestar serviços que não tinham sido prestados pela empresa TMF representada por Thiago, sendo que, segundo as informações recebidas, Mario Prefeito atestava os serviços não executados sob ordem de Wanderson e os serviços não prestados eram devolvidos A Wanderson da Casa Civil como propina", consta no depoimento do militar.

A TMF já recebeu mais de R$ 3,4 milhões em contratos com o Estado. O último foi da reforma do prédio da Casa Civil no valor de R$ 1 milhão.

Wanderson foi designado em 2019 pelo secretário da Casa Civil, Mauro Carvalho, como ordenador de despesas do Gabinete de Governo, Gabinete de Assuntos Estratégicos, Gabinete de Transparência e Combate à Corrupção e do Gabinete de Comunicação.

Na época, a Secretaria divulgou que ele estava autorizado a “assinar empenhos e ordens de pagamento, homologar e adjudicar licitações, assinar balancetes, balanços, orçamentos e demais documentos contábeis, encaminhar documentos e responder solicitações relacionadas à execução orçamentária e financeira, por prazo indeterminado”.

Posicionamento da Casa Civil

"Sobre o depoimento do militar, o Secretário-Chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, esclarece que:

O depoimento deixou claro e evidente que, somente na noite do dia 24 de setembro, ou seja, no dia da prisão do servidor suspeito da prática de ato de corrupção, é que o caso chegou ao meu conhecimento. O próprio militar afirma que: “na data de hoje [24.09] as informações envolvendo atos de corrupção praticados por Wanderson foram levados ao conhecimento do Secretário da Casa Civil Mauro Carvalho, tendo sido discutido até a exoneração de Wanderson de seu cargo na Casa Civil.

Ou seja, assim que a suspeita contra o servidor chegou ao meu conhecimento, foi assinada de imediato a exoneração do cargo e publicada no Diário Oficial do dia seguinte, em 25 de setembro. Cabendo a resolução do caso as autoridades competentes.

Reforço ainda que o Governo de Mato Grosso não coaduna com qualquer prática de crime e que atua fortemente no combate à corrupção. Toda denúncia de possível irregularidade terá sempre o respaldo do Governo para sua investigação, esclarecimento e o apoio à punição severa de qualquer servidor ou cidadão envolvido em corrupção."

Leia também

Deixe seu comentário!