Figueiredo disse que lançar kit 'parece brincadeira' e que responsabilidade de prescrição é dos médicos

SES critica 'kit-Covid': 'Vende ideia de solução segura e não é'

Por Camila Ribeiro

O secretário de Estado de Saúde Gilberto Figueiredo criticou a entrega do chamado “kit-Covid”, que está sendo realizada em alguns municípios, inclusive em Mato Grosso, para pacientes em tratamento contra Covid-19 (novo corornavírus).

O kit incluiu, dentre outros remédios, a cloroquina. O medicamento ainda é alvo de contestações, já que seu uso pode provocar uma série de efeitos colaterais.


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“Essa história de lançar kit parece uma brincadeira. Fosse assim, para todas as doenças poderia ter um kit preparado e não precisaria nem fazer curso de medicina para analisar sintomas do paciente e prescrever o medicamento ideal”, ironizou.

“Não concordo com isso. É algo nocivo para a população. Vende a imagem de que é uma solução segura e não é”, emendou o secretário, durante uma live na última semana.

Em Mato Grosso, a Prefeitura de Barra do Garças apresentou um protocolo de medicamentos para tratamento da Covid-19 a pacientes que estejam internados ou que precisem dar continuidade ao tratamento em casa.

Há dois kits de fármacos que combinam Azitromicina (500mg), Ivermectina (6mg) e Paracetamol (750mg) ou Azitromicina (500mg), Ivermectina (6mg), Dipirona (5oomg) e Cloroquina (150mg) a serem ministrados de acordo com as condições clínicas de cada paciente.

Segundo o prefeito de Barra, Roberto Farias, o kit foi elaborado pelos médicos que atuam na rede pública da cidade, entre eles, o neurologista Clodoaldo Pirani.

A secretária de Saúde da cidade, Clênia Monteiro, afirmou que os medicamentos não serão distribuídos de forma aleatória: “O médico vai prescrever conforme o quadro de saúde do paciente que esteja internado ou que necessita seguir o tratamento em casa”.

Responsabilidade médica

Ao criticar a iniciativa, o secretário Gilberto Figueiredo afirmou que o Estado não faz nenhum tipo de restrição ao uso da cloroquina ou qualquer outro medicamento.

De todo modo, alertou para o uso indiscriminado dos fármacos. Segundo ele, cabe ao profissional médico que assiste o paciente em tratamento fazer a prescrição do remédio.

“Hoje me perguntaram se meu filho estivesse infectado e tivesse 0,5% de chance de a cloroquina salvar, se eu iria utilizar. Respondi que se fosse 0,001% de chance e essa for a solução melhor escolhida pelo médico que o tiver assistindo, eu iria autorizar a administração do medicamento”, afirmou.

“O medicamento está à disposição de todos os profissionais da saúde que queiram administrar. Não há óbice do governo. Agora, não é o governador, nem secretário de Saúde, não é o ministro, nem o presidente da República que prescreve medicamento para tratamento da Covid, nem de outra enfermidade. Essa responsabilidade é dos médicos”, completou.

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